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IoT e computação cognitiva exigem investimentos e formação profissional em tecnologia da informação

Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações discute política pública para atrair investimento privado e preparar profissionais para o mercado de trabalho, inclusive com a elaboração do Plano Nacional de Internet das Coisas. Pesquisadores da IBM apresentaram impactos das novas tecnologias no ciclo de seminários da Semana Nacional de Ciência e Tecnologia.

 

O responsável pelo setor de soluções cognitivas da IBM para a América Latina, Carlos Tunes, explicou que a computação cognitiva se espelha no funcionamento do cérebro.

Crédito: Ascom/MCTIC

 

Internet das Coisas e computação cognitiva entraram de vez na agenda do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, que discute a construção de políticas públicas voltadas para as novas tecnologias da informação e comunicação. Os pesquisadores Carlos Tunes e Fernando Giglio, da empresa IBM Brasil, exploraram seus impactos em palestras nesta quarta-feira (19), dentro do ciclo de seminários da 13ª Semana Nacional de Ciência e Tecnologia.

O coordenador-geral de Serviços e Programas de Computador do MCTIC, José Henrique Dieguez, destacou que o ministério elabora o Plano Nacional de Internet das Coisas. "Temos o desafio de formular uma política pública que consiga atrair investimento privado e preparar gente para o mercado de trabalho", antecipou. "As pessoas estão cada vez mais conectadas, mas o que começamos a enxergar agora é a comunicação entre máquinas, machine to machine. A ideia é que equipamentos se conectem de maneira automática muitas vezes sem você perceber ou mesmo saber. Isso traz uma série de coisas boas e algumas preocupações. Por isso, dentro do que estamos trabalhando, uma das linhas é a questão da segurança da informação."

A Internet das Coisas (IoT, na sigla em inglês) é a inovação tecnológica que conecta digitalmente objetos do dia a dia, como aparelhos eletrodomésticos, máquinas industriais e meios de transporte, que passam a trocar dados entre si e a se moldar ao comportamento das pessoas. Já a computação cognitiva sugere a habilidade de dispositivos de tecnologias da informação e comunicação (TICs) aprenderem sozinhos, por meio de tentativa e erro, em processo similar ao humano.

 

Perspectivas

 

Gerente de Desenvolvimento de Software e líder em Desenvolvimento de Novos Negócios dentro do Centro de Competências em Internet das Coisas da IBM, Giglio ressaltou que o primeiro termo já adquiriu determinada história. "Se a gente voltar uma década no tempo, vai notar que se falava de cidades inteligentes, ou seja, do uso de sensores e dados para melhorar serviços públicos de saúde, segurança e transporte", comentou.

"Hoje, a gente fala tanto de IoT porque a tecnologia está disponível e a nossa cultura pede seu uso para, por exemplo, monitorar de maneira remota pacientes em hospitais, gado em pastos, equipamentos em fábricas ou cargas em caminhões."

Apesar das perspectivas de aplicação em diversos ramos de negócio, na visão de Giglio, a Internet das Coisas ainda encontra gargalos na conectividade. "Ela está presente na nossa vida mesmo que a gente não perceba. IoT é a conexão entre coisas e entre coisas e internet", disse. "Podemos falar dela se não houver internet? Não! É preciso terinternet. Isso já faz parte da realidade que temos e embasa o consumo de muitos serviços e soluções na nuvem."

Responsável pelo setor de soluções cognitivas da IBM para a América Latina, Tunes explicou que a computação cognitiva se espelha no funcionamento do cérebro. "Nós, seres humanos, aprendemos desde a nossa infância até a nossa morte", ilustrou. "A nossa cognição segue essa sequência: observar, interpretar e avaliar o que está acontecendo e as respostas possíveis à observação e, finalmente, decidir qual é a hipótese mais adequada. Isso se chama cognição. Você não programa um sistema cognitivo, você ensina."

De acordo com Tunes, 90% dos dados existentes no planeta são dos últimos dois anos. "Cada vez mais informações são geradas, e isso significa uma nova base de conhecimento, à qual não necessariamente todos nós temos acesso nem conseguimos capturar a tempo de formar possíveis decisões", apontou o pesquisador, ao citar o supercomputador Watson, pelo qual a IBM consegue analisar volumosos bancos de dados com linguagem desestruturada. A máquina é capaz de aprender sozinha, sem necessidade de programação.

 

 

 

Fonte: MCTIC